Tirando a poeira disso aqui…

30 10 2012

E lá se vão 2 anos e meio desde o último post…

Deixa eu tirar a poeira daqui primeiro, fazer uma faxina geral, recolocar as ideias em ordem.

Em breve retorno contando os motivos dessa ausência, e com mais um bocado de histórias pra contar…

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Pura Vida!

11 02 2010

Decidimos o destino da nossa Lua-de-mel depois de muita pesquisa, tentando conciliar os sonhos e desejos de cada um. Conseguimos um pacote interessante para a Costa Rica, que incluiu o aluguel do carro e as passagens com o programa de milhagem.

O casamento foi no sábado à tarde em Tocantins/MG, e no domingo de madrugada voltamos para o Rio, pois nosso voo saiu às 13h30. Escala na Cidade do Panamá por uma hora, chegamos a San José por volta das oito da noite, hora local, que está 4 horas atrás de Brasília. Motorista aguardando no aeroporto com nome na placa, traslado até o primeiro hotel, tudo indo muito bem.

Esta é a grande vantagem de se comprar pacotes turísticos: não ter muita preocupação. Não procurar por taxi, não precisar trocar dinheiro nas taxas abusivas do aeroporto, não esquentar com reserva de hotel.

Na manhã de segunda-feira, o representante da locadora de veículos levou o carro – um jipinho Daihatsu Bego – até o hotel, e contratamos também um GPS para facilitar ainda mais a nossa vida. Foi uma das decisões mais acertadas da viagem, afinal a Sra. Wilson, como a chamávamos, conhecia muito bem aquelas estradas e paradas, e avisava até dos quebra-molas no caminho. Passamos num supermercado para algumas comprinhas emergenciais, como sanduíches, sucos e chocolate e colocamos o próximo destino no GPS, seguindo uma sugestão da Agência de Turismo brasileira: “La Paz Waterfall Gardens”.

Estávamos num subúrbio de San José, e nos surpreendeu a arquitetura local: casinhas de madeira, baixas, com amplos jardins e quintais. Muitas até sem grades. Tudo muito bonitinho, arrumadinho. Não pegamos nenhuma via principal, então nem trânsito enfrentamos, mas logo pegamos uma subida e percebemos que o carro era fraquinho… uma subidinha de nada e tive que reduzir para a segunda marcha, em alguns pontos até primeira… devia ser 1.0 o coitado.

Passamos por vias muito arborizadas, que já nos deu o cartão de visitas do país: conhecido por ambientalistas do mundo inteiro, a Costa Rica é um exemplo de preservação, tendo mais de 25% de seu território protegido por Parques Nacionais. E passando por um vilarejo com ares de anos 60, placas com diversas mensagens penduradas nas árvores, tivemos outra informação que nos tornou um pouco mais admiradores daquele lugar: desde 1948 a Costa Rica não tem Forças Armadas. Um país de paz, que respeita a natureza, realmente fizemos a escolha certa!

A estrada se tornava cada vez mais precária, com vários trechos de terra, interdições de meia-pista e desmoronamentos nas beiradas. Como não sabíamos de nada, continuamos a seguir o que a Sra. Wilson mandava. Chegamos ao Parque e soubemos que várias de suas atrações estavam com acesso proibido por causa d o terremoto de 2009, inclusive as três cachoeiras. Decidimos que não valia a pena pagar 35 dólares por cabeça para ver borboletas e macacos e caminhar entre as árvores, então decidimos seguir viagem até o destino final daquele dia: a cidade de La Fortuna, aos pés do Vulcão Arenal. Tentamos seguir a estrada, porém logo em frente havia uma placa do governo proibindo o acesso, e tivemos que retornar e fazer uma volta enorme para dar continuidade à viagem. Só no retorno ao Brasil, acessando a Wikipedia, é que tive uma idéia de onde eu estava: no epicentro do terremoto de janeiro de 2009, o mais grave da história do país.

Depois de muita estrada, paramos em um borboletário para ir ao banheiro e comer os sanduíches que havíamos comprado, já que tínhamos saído do nosso planejamento. Foi quando a Patrícia pisou em falso e torceu o pé. Esperamos um pouco para ver se tinha sido grave, mas apesar da dor não havia inchado muito. Resolvemos seguir viagem, colocando um saco de gelo no tornozelo e ficando mais quieto no restante da tarde, já que se a torção piorasse poderia comprometer todo o restante do passeio. Fizemos um pit-stop estratégico no caminho para trocar o saco de gelo e, chegando a La Fortuna, passamos numa farmácia para comprar uma faixa de imobilização e um analgésico. Seguimos para o hotel e fomos para a piscina, uma forma de descansar da estrada e de manter o pé da Patrícia em condições favoráveis, sem impacto e num ambiente frio.

Quando anoiteceu, queríamos experimentar a culinária local, e nada melhor do que o Restaurante La Típica, que eu tinha visto na estrada pertinho de La Fortuna. Era praticamente um galpão, ou uma grande varanda, de madeira coberta com telhas, tudo bem simples. Abrimos o cardápio, pedimos duas cervejas Imperial, a marca nacional, e perguntamos qual era o prato típico. Pedimos, então, dois casados, e para nossa surpresa era muito próximo ao que estamos acostumados no Brasil: arroz, feijão preto, salada de repolho e tomate, batata e chuchu cozidos, banana frita e um bife extremamente macio. Para dar um toque especial, ainda tem um molho típico que é conhecido pela sua marca: Lizano (se parece um pouco com um molho barbecue acrescido de alho). O jantar foi simples, bonito e delicioso!

Voltamos para o hotel e dormimos cedo, principalmente por causa do jet lag. Antes das 9 horas da noite já estávamos dormindo! O mais engraçado é que eu acordei descansado, achando que já estava na hora do café da manhã, mas olhei no relógio e ainda era meia-noite! Depois disso acordamos mais um tanto de vezes durante a madrugada, parte pela ansiedade de fazer os passeios, parte pelo fuso horário, até realmente chegar a hora de ir pro café. E assim foi em todos os dias: acordávamos antes do sol, éramos uns dos primeiros a tomar café, passávamos o dia inteiro passeando e voltávamos pro hotel a tempo de tomar banho, jantar e dormir antes das 9 horas da noite.

Na terça-feira, o pé da Patrícia amanheceu bem melhor. Com o analgésico e a faixa imobilizando, ela conseguia andar normalmente. Fomos então fazer a cavalgada aos pés do Vulcão Arenal. Foi a primeira vez que a Patrícia andou a cavalo, e ela saiu-se muito bem. O cavalo é que percebeu que ela não tinha experiência e ficou provocando, muitas vezes não obedecendo aos comandos dela. A primeira descida foi tensa, pois havia muitas pedras e a sensação de altura fica ainda maior em cima do cavalo, mas o momento mais preocupante foi quando o cavalo da Patrícia resolveu que não iria descer no outro caminho e tentou subir em um barranco, ficando parado no meio do caminho, com as patas dianteiras em cima do barranco e as traseiras na estrada – a mesma posição de um cavalo empinando, com a diferença que as quatro patas estavam no chão. A Patrícia ficou branca, com toda a razão, pois com essa brincadeira ela ficou a uns 2 metros de altura do solo e com o centro de gravidade todo pra trás… foi preciso o instrutor subir no barranco e puxar o cavalo para ele seguir no caminho certo. Com o tempo, Patrícia percebeu que tinha que manter a rédea curta, e mostrar quem realmente estava no comando ali.

O passeio seguiu sem muitos sobressaltos, com paisagens muito bonitas. Ventava muito, e as nuvens escondiam o cume do vulcão, mas tínhamos a sensação de que, cedo ou tarde, conseguiríamos vê-lo. Chegamos até um mirante, descansamos um pouco daquela posição de cowboy e aguardávamos ansiosamente pela aparição do vulcão, mas ainda não seria ali. Seguimos até o fim da cavalgada, com dores por todo o corpo, mas muito felizes com a experiência.

À tarde, fizemos o canopy. Eu já tinha feito muito cabo aéreo, tirolesa e essas coisas com cordas e roldanas na minha época de escoteiro, mas nada se comparava com aquilo ali. Todo o equipamento necessário: capacete, luvas, cadeirinha, mosquetões, instrutores, roldanas e cabos-de-aço. Seguimos com os instrutores até o início da base, recebemos as primeiras lições e a adrenalina começou. Fantástico, simplesmente divertido! A velocidade, o vento no rosto, a paisagem com árvores, rios e cachoeiras, a adrenalina acelerando o coração e a respiração. Até fizemos um trecho de cabeça para baixo! Para coroar o passeio, quando saímos da mata vimos o vulcão, completamente sem nuvens, soltando sua fumacinha para o céu azul.

No dia seguinte, pegamos novamente a estrada e fomos para a região do Lago Arenal, onde fizemos mais uma aventura: o Sky Tram e o Sky Trek. Novamente paramentados com capacete, luvas e roldana, pegamos um teleférico que sobe por entre as árvores de uma floresta nativa, até a base inicial do Sky Trek, com uma visão de toda a região do Lago. Pena que estava chovendo (apesar de ser a estação seca) e não conseguimos ver muita coisa. Fomos, então para as duas primeiras bases do Trek, que servem de instrução. Primeiro, posicionamento: ao contrário do Canopy, que é sentado, neste temos que nos apoiar totalmente na cadeirinha, ficando quase deitado de costas, com as pernas cruzadas à frente. A segunda lição, como frear: é só abrir as pernas e erguer o tronco.

Tudo aprendido? Respira fundo e vamos para o primeiro trecho real: não muito longo, não muito rápido, mas com 200 metros de altura no vão central! Depois do susto inicial, de passar um filme na sua cabeça, de achar que não vai chegar do outro lado e você vai ficar preso no meio do cabo-de-aço a 200 metros do chão, tudo passa muito rápido e, de repente, você está na próxima base. Depois, mais 7 trechos, incluindo um que chegava a 80 km/h e o último, com 750 metros de extensão! Loucura total, perfeito, excelente, indescritível! O melhor passeio da viagem, sem nenhuma dúvida! Ao final, uma xícara de chocolate quente para esfriar os ânimos e aquecer o corpo, e pé na estrada novamente, com destino a Monteverde.

Contornamos o Lago Arenal e pegamos uma estradinha de terra. Foi um trecho muito estressante, afinal descobrimos que o carro, além de fraco, era instável. Saía muito de traseira, mesmo eu estando de terceira e a 30 km/h! Muita calma nessa hora, mas muito cansaço também. Chegamos a Monteverde, almoçamos um casado, compramos alguma coisa no supermercado e fomos para o hotel. Estávamos em cima da montanha, e um vento forte, incessante e gelado nos castigava. Fazia uns 15 graus no máximo, e como não estávamos preparados para isso, preferimos ficar tomando vinho no quarto. Até o passeio do dia seguinte, as pontes suspensas, desistimos de fazer por causa do frio. Preferimos chegar logo ao nosso próximo destino: praia!

Mais um pouco de estrada de terra, com a vista espetacular da descida da serra, logo chegamos à Carretera Panamericana. Logo pegamos um acesso e estávamos numa rodovia secundária à beira do Oceano Pacífico. Mar azul, coqueiros, floresta nativa. A única coisa que atrapalhava a paisagem era a areia preta, vulcânica, que parecia mais com barro. Paramos em um penhasco onde um grupo de araras vermelhas fazia algazarra e voava entre as árvores, dando um show para os turistas. Logo adiante, um almoço com vista pro mar, peixe grelhado e suco natural.

Seguimos para o hotel, que ficava alguns quilômetros depois de Quepos, à beira de um penhasco de frente pro mar. Recepção de primeira, com toalha refrescante e drink de boas-vindas, deixamos as bagagens no quarto e fomos direto para a piscina. A partir das seis da tarde, dose dupla de bebidas no bar e logo chegou a hora de dormir. Na manhã seguinte, pegamos o ônibus do hotel, que nos deixou na praia de Manuel Antonio, um vilarejo que é a porta de entrada para o Parque Nacional de mesmo nome, um dos mais famosos do país. Não quisemos pagar para conhecer a praia privada do parque, preferindo ficar na praia pública mesmo. Quando o sol começou a ficar muito quente, por volta das 10 horas da manhã, sentamos em um bar, tomas algumas cervejas e logo voltamos para o hotel no ônibus, afinal a piscina com borda infinita para o mar estava muito mais convidativa do que a praia de areias escuras.

No sábado fizemos nosso último programa típico da Costa Rica: fomos ao Rainmaker, um tipo de Reserva Natural com pontes suspensas no meio da mata. Vimos muitas árvores, um tucano, três serpentes venenosas, várias borboletas e cigarras, mas o ponto alto da caminhada foi uma cachoeira de águas geladas, algo que ainda estava faltando na nossa viagem. Pena que o guia nos apressou, pois se dependesse de nós ficaríamos ali o dia inteiro. Voltamos para o hotel e, na hora do pôr-do-sol, seguimos a sugestão do motorista do hotel e fomos ao Restaurante Las Terrazas, onde apreciamos o pôr-do-sol mais lindo das nossas vidas, brindado com doses duplas de cerveja e mojito, e para completar uma lua cheia perfeita. Era o encerramento do passeio com chave de ouro!

Domingo era o começo da nossa volta. Saímos cedo do hotel, pois a viagem seria longa, e pegamos a estrada com destino a San José. Em um certo momento o GPS enlouqueceu completamente, pois passamos por uma estrada que tinha sido inaugurada no dia anterior e não estava em seu banco de dados ainda. Ficamos cansados de ouvir: “recalculando a rota”, “vire à esquerda””, “retorne quando possível”, até que tiramos o som da coitada da Sra. Wilson. Chegamos ao hotel, deixamos as bagagens e resolvemos conhecer um pouco da capital.

Era pra estar vazia, afinal era domingo à tarde, mas como aquele seria o último final de semana antes das eleições presidenciais, havia comícios e carreatas em vários pontos da cidade. Que, por sinal, era muito feia! A região do centro e dos pontos turísticos parecia muito com a região próxima à rodoviária de Belo Horizonte, um ar de submundo, sujo, lotes vagos e prédios pouco conservados. Nada nos chamou a atenção a ponto de querermos parar o carro, então voltamos para o hotel.

O último dia serviu apenas para nos lembrar que aquele país, apesar de toda a beleza, respeito à natureza, educação e cortesia da população do interior, não deixava de ser Terceiro Mundo, país em desenvolvimento. Logo cedo, passamos no supermercado para comprar Molho Lizano para trazer de lembrança. Não ficamos nem 15 minutos dentro do lugar e, quando saímos, percebemos que a tampa externa do tanque de combustível estava aberta e haviam roubado a tampinha interna, que não tinha chave. Vimos que a tampa externa do carro do lado também estava aberta, mas como a tampinha tinha chave ainda estava lá. Discussão com o segurança, uma rodada pelo lugar, e obviamente nenhum sinal do ocorrido. Passamos em uma oficina, que conseguia a tampinha original por 100 dólares, mas logo a frente tinha um posto de gasolina que nos vendeu uma a 10 reais. Depois dessa, voltamos para o hotel e apenas ficamos aguardando o horário para ir ao aeroporto.

Devolvemos o carro na locadora, que nos cobrou uma diária a mais de seguros e do GPS por um erro da Agência de Turismo, e logo fizemos o check-in no aeroporto. Fomos a uma loja de souvenir para comprar várias lembrancinhas, e na hora de pagar a caixa nos cobrou em uma peça 3 vezes o preço real. Reclamamos, e ela nos devolveu o dinheiro que tinha cobrado a mais. Ao sair da loja, sentamos no saguão à espera do avião, e resolvemos conferir os presentinhos. Não é que a caixa tinha “esquecido” de colocar aquela lembrancinha que tinha superfaturado? Voltei correndo à loja, e lá estava o presente, embrulhadinho, no balcão atrás da caixa. Como ela estava atendendo outras pessoas, me viu e apenas me entregou o embrulho, sem dizer nenhuma palavra.

Embarcamos no avião, Classe Executiva, tudo de bom! Cardápio diferenciado, com opções de escolha, e até espumante para beber. Escala de uma hora na Cidade do Panamá e, no próximo avião, Classe Executiva de novo. Seria ótimo, pois viajaríamos a noite toda e no dia seguinte eu teria que trabalhar. Pena que nos colocaram na última fila da Executiva, e a cadeira não inclinava igual às outras. Deitava somente o mesmo tanto que a Classe Econômica, então a diferença foi apenas a largura e conforto da cadeira. Para mim foi tranquilo, pois tenho muita facilidade para dormir, mas para a Patrícia foi um martírio. Ela não conseguiu dormir nada, ainda bem que teria o dia seguinte todo para descansar.

Chegando ao Galeão, estávamos tão cansados que nem quisemos passar no Free Shop. Ainda bem que nossas malas foram das primeiras a sair, pegamos e fomos os primeiros a passar pela aduana, já sonhando em chegar em casa. Foi quando percebi que a mala da Patrícia estava sem seu cadeado, e descobrimos que ela havia sido arrombada. Ao abrir, tudo revirado, porém demos falta apenas de uma caixinha de bijuterias da Patrícia. Nada muito caro, mas com grande valor sentimental. O nosso azar é que a caixinha era da H.Stern, então o larápio deve ter pensado que era algo de muito valor. Tentamos ir na Companhia Aérea, mas não havia ninguém lá. Ligamos para o SAC, mas não estava disponível. Fomos à Polícia Turística, que disse que teríamos que ir na Polícia Civil. Como estávamos cansados, principalmente a Patrícia, que não tinha dormido, resolvemos ir embora e tentar entrar em contato com a Empresa depois.

Escrevi e-mail no mesmo dia (02 de fevereiro) e até hoje não recebemos nenhuma resposta. Já nos conformamos com a perda, mas a sensação de invasão permanece. Como as malas não demoraram a sair no Galeão, cremos que o furto ocorreu na escala (uma hora) ou, mais provável, na Costa Rica, onde a mala ficou por três horas do check-in até o embarque. Fica a lição: objetos de valor, financeiro ou sentimental, só na bagagem de mão, ou passar o Protect-bag na mala. Infelizmente…

Esse último dia poderia não ter existido, ou poderíamos ter evitado vários desses probleminhas. Ainda bem que estávamos com um espírito tranquilo, clima de lua-de-mel, aumentados por causa do ótimo passeio e do contato direto com a natureza. Clima de “Pura Vida!”, que é a forma como os locais se cumprimentam. Equivale ao nosso “beleza?!”, e significa exatamente isso: uma vida pura, plena e repleta para você!

Para ver as fotos, acesse: http://picasaweb.google.com/hernani.m/CostaRica#

Mosaico de fotos da Costa Rica





Como tudo começou…

8 02 2010

Já que houve uma pausa forçada na ordem cronológica dos relatos das minhas viagens, e atendendo a pedidos, replicarei aqui, com os devidos ajustes, o texto que fiz para o site do nosso casamento.

“É uma longa história… na verdade não.

Eu estava de férias na Islândia e visitei o Museu das Bruxas. Comprei um colar que tinha um “feitiço do amor” e, aproveitando o sol da meia-noite e as águas naturalmente quentes do lugar, inventei uma macumbinha (boacumbinha) pedindo a Freya, deusa nórdica do amor, que eu encontrasse A mulher.

Enquanto isso, em Belo Horizonte, Patrícia teve um sonho em que voa por entre montanhas e, ao chegar no chão, encontra seu anjo da guarda que aponta para um cara ao longe, e diz: “É aquele ali. Você vai reconhecê-lo pelos olhos, mas ele não sabe de nada”.

Sem saber de nenhuma dessas histórias, Carol, nossa madrinha, cismou que a gente tinha que se conhecer, de qualquer forma. Então, no dia 12 de julho de 2008, eu fui a BH para o casamento de um amigo e me hospedei na casa da Carol, que aproveitou a oportunidade para nos apresentar.

Nem preciso dizer que, quando ela viu meus olhinhos, lembrou imediatamente do seu sonho e começou a achar que poderia ser verdade. E eu também desconfiei que Freya já estava fazendo a sua parte.

Desde então, nos encontramos todos os fins de semana, mesmo eu morando no Rio e ela em BH. Até que ficou chato morar longe e eu a trouxe para morar comigo.

Como somos pessoas sérias, não poderíamos viver em pecado por muito tempo, então resolvemos acabar com a pouca-vergonha e oficializamos nosso casamento em 23 de janeiro.”





Explicações e Novos Caminhos

21 01 2010

Caros leitores assíduos do Vegvisir,

Em primeiro lugar, quero desculpar-me pela (des)atualização do blog. Desde julho a minha vida navega por águas desconhecidas e deliciosas, e minhas prioridades nunca mais foram as mesmas.

E o ponto alto dessa navegação concretiza-se no sábado, quando me caso com a melhor companheira que existe: linda, alegre, divertida, curiosa, aventureira e viajante! Isso é um prenúncio de muitas e muitas viagens e relatos, iniciando-se por uma Lua-de-mel na Costa Rica…

Sei que é só pra deixar um gostinho na boca, pois como escrevo em uma certa ordem cronológica, essa viagem entrará para o final da fila. Mas é garantia de boas história por um bom tempo!

Sinto que estou em falta com esse projeto, que está indo bem e com um bom retorno, então devo voltar a escrever em breve, falndo do final da minha experiência de intercâmbio, do meu retorno à Europa, Petrolina, Natal, Maceió, viagens a trabalho no Brasil e no exterior, e muitas coisas mais!

Não percam as esperanças, assinem o RSS para saberem das atualizações e apertem os cintos!

Meus relatos para o blog foram





God Save the Queen

13 10 2009

Uma tradição que começa a se consolidar no Brasil, mas que já é muito comum no Hemisfério Norte, é a viagem de formatura da escola. Em vez de festa, a turma escolhe um destino e passa uma semana para comemorar o fim de um ciclo escolar.

O destino escolhido para nossa viagem de formatura foi Londres. Não poderia haver um destino melhor, para coroar o ano que mudou minha vida radicalmente!

Durante todo o ano nos preparamos para essa viagem: fazíamos pizza e outras guloseimas para vender nos horários de intervalo, fizemos pesquisas sobre a cidade, estudamos inglês com os textos da peça Os Miseráveis, que iríamos assistir numa noite do nosso passeio.

Para pegarmos o ferryboat para o Reino Unido, tivemos que atravessar toda a Dinamarca. Pegamos um ferryboat noturno de Bornholm até Copenhaguen, depois um trem até Korsør, ferry novamente para atravessar o Storebælt – em 1995, a ponte que atravessa o Storebælt (entre Korsør e Nyborg) estava sendo finalizada, e a ponte que liga Copenhaguen a Malmö ainda era um sonho distante – mais um trem de Nyborg até Esbjerg, onde pegamos o ferryboat com destino a Harwich, porto de entrada da Inglaterra.

Este ferryboat era enorme e tinha de tudo: discoteca, cinema, fliperama, máquinas caça-níquel. Pena que passamos por uma tempestade terrível, que fazia o barco subir e descer e deixar muita gente enjoada. Eu mesmo tive que me deitar um tempo para poder passar a tonteira… a parte divertida era a energia estática que carregava o ar, e era só esfregar um pouco o tênis no carpete e chegar o dedo na orelha ou no pescoço de alguém para dar um choquinho, gerar um susto e muitas gargalhadas!

A viagem durou a noite toda, e chegamos em Harwich por volta de meio-dia e meia. Como boas vindas, estava nevando bem de leve. Pegamos mais um trem com destino a Londres, e finalmente chegamos à estação de Paddington, onde pegamos o metrô até o hotel onde nos hospedamos. Não me lembro o nome do Hotel nem seu endereço, e infelizmente não anotei nada disso… seria interessante rever o lugar, nem que fosse pelo Google Maps. Chegamos às 15h30, quase 21 horas depois de sair de Bornholm!

O primeiro choque cutural foi com a torneira do banheiro e do chuveiro… para abrir, deve-se girar no sentidoanti-horário, ao contrário do que estamos acostumados… resultado, quase me queimei ao abrir ainda mais a água quente em vez de fechar a torneira… depois, ao sair na rua pela primeira vez, por mais que você saiba que tem que olhar para a diretia antes de atravessar a rua, e tem escrito isso em todo lugar – no chão, nas placas, etc. – eu acabei olhando para o lado esquerdo e quase fui atropelado…

Na primeira noite, lanchamos no McDonald’s e passeamos pela Queen’s Way, para comprar algumas lembrancinhas e postais. Fomos também ao Piccadilly Circus, talvez a praça mais famosa de Londres, ou um dos locais mais fotografados por turistas no mundo. Fiquei fascinado com os grandes painéis de neon e com pessoas do mundo todo com suas câmeras frenéticas espoucando flashes sem parar.

No dia seguinte, fizemos um City Tour bem legal, com uma guia dinamarquesa dando todas as explicações e curiosidades dos lugares, passando pelas maiores atrações turísticas da cidade – Torre de Londres, Tower Bridge, Big Ben e Houses of Parliament, Buckingham Palace. Já que teríamos passeios mais detalhados em algumas dessas atrações nos dias seguintes, fizemos apenas algumas paradas – Saint Paul’s Cathedral, Trafalgar Square, National Gallery, Covent Garden e Regent Street.

O passeio durou o dia inteiro, e à noite ainda encontramos um rinque de patinação no gelo, e todos adoraram a idéia de fechar o dia com um pouco de patinação. Aprender a patinar foi muito fácil… na reta!!! Qualquer mínima curva era destino certo ao chão gelado e molhado… mas foi uma noite muito divertida, com muitos tombos e risadas.

O terceiro dia começou com um passeio à Torre de Londres, e sua exposição de armamentos, armaduras e as jóias da coroa inglesa. Em seguida, fomos ao Tower Hill Pageant, uma espécie de montanha-russa que conta toda a história de Londres. Logo após, fomos ao London Dungeon, um tipo de trem-fantasma que, pelas minhas anotações, foi muito chato e não recomendado. Com a tarde toda livre, passeamos pela região do Piccadilly Circus, atrás de mais lembranças, fotos e presentes. Jantamos num Pizza Hut, onde a garçonete era portuguesa e eu voltei a falar português com outra pessoa depois de muito tempo. Como brinde, ganhamos uns balões de hélio e, obviamente, usamos os balões para mudar nossas vozes e rir muito! Para finalizar a noite, um passeio ao Funland, uma casa com três andares de fliperama.

No penúltimo dia, passeamos pelo Royal Albert Hall e pelo Museu Nacional de História Natural, que é impressionante. Como um bom escoteiro que eu era naquela época, aproveitei a chance para ir à Baden Powell House. Pensei que era um museu em homenagem ao fundador do escotismo, mas não passava de um albergue/centro de convenções para escoteiros. Valeu apenas pela lojinha de lembranças. Logo após, noite “>fomos ao Harrod’s, a maior loja de departamentos do mundo, e à noite fomos à tão esperada peça que havíamos estudado o ano todo: Os Miseráveis, de Victor Hugo. Uma noite de gala, assistindo a uma peça de teatro famosa em uma das capitais do mundo, era tudo muito grandioso para um tabaréu recém-saído de Montes Claros.

O último dia foi para arrumar as coisas, fazer check-out do hotel, ir para a Liverpool Station e aguardar a hora para iniciar a volta para a Dinamarca. Desta vez não houve neve, tempestade, o mar estava calmo e pudemos aproveitar melhor as facilidades do ferryboat.

Depois dessa vez, já voltei a Londres mais duas vezes, em 2007 e 2008. Nessas duas viagens fui a trabalho, com a cabeça completamente diferente daquela de 1995, então tive uma percepção diferente da cidade, além de poder conhecer outros lugares e situações. Mas isso fica para outro post…





Os Vizinhos de Cima

3 09 2009

Sabe aquele vizinho a quem a gente sempre recorre para pedir um pouco de açúcar ou sal quando falta, mas não perde a oportunidade de colocar a culpa quando tem vazamento ou barulho? Essa é a relação entre Dinamarca e Suécia.

São países irmãos, com culturas e costumes parecidíssimos. Os idiomas tem uma diferença de sotaque, praticamente, sendo tão próximas uma da outra como portugês e espanhol.

Os intercambistas que estavam em Bornholm passaram uma semana na Suécia, no mês de maio, para um mini-intercâmbio. Uma forma de conhecer mais um pouco a Escandinávia, e abrir ainda mais a cabeça em relação ao seu país e cultura de origem.

Fomos para a cidade de Sölvesborg, na região de Kristianstad, sul da Suécia. Com cerca de 15 mil habitantes, é uma cidade às margens do Mar Báltico, e muito semelhante ao que eu já estava acostumado a ver na Dinamarca.

A primeira providência da minha nova família, com a qual eu iria passar uma semana, foi me emprestar uma bicicleta para eu poder conhecer melhor a cidade. O mais engraçado é que esse foi o primeiro ato de todas as famílias suecas que nos receberam naquela semana.

Nesta semana, fomos ao jardim de infância e às escolas primária e secundária da cidade, para fazer apresentações sobre os nossos países e conhecer um pouco do sistema educacional sueco. Nada muito diferente da Dinamarca, a não ser que, no corredor ao lado do bebedouro, há uma barraquinha de leite que os alunos podem se servir à vontade nos intervalos.

No fim de semana, todos os intercambistas e os irmãos suecos que puderam ir, viajaram para um acampamento às margens de um lago perto de Sölvesborg.

Saímos na sexta-feira, logo após o almoço, e chegamos no acampamento a tempo de montar as barracas e fazer um pequeno teste na água, para aprender a remar e controlar a canoa. Fiz dupla com o André, o outro brasileiro da excursão.

No sábado, o dia amanheceu fantástico, com um céu muito azul e ventando um pouco. Mas no início nem percebemos esse vento, e até gostamos pois ele estava a favor e nos ajudava a remar. Todos cantando, brincando muito, tentando molhar uns aos outros, uma festa só. Fizemos um transborde para evitar uma cachoeira, e continuamos a remar até o local onde almoçamos e descansamos um pouco, para inicar o retorno para o acampamento.

A volta começou com aquela mesma sensação de pedalar contra o vento, nada grave. Até o momento do transborde para o primeiro lago, quando começou uma verdadeira tempestade! Como éramos aprendizes na arte de remar, imagine a dificuldade que passamos: o cansaço aumentando, o vento contra se transformou numa tempestade, e o desespero de achar que aquilo ali iria acabar mal.

Decidimos remar junto à margem, em caso de necessidade. Porém, não paramos nem um momento, apesar de muitas vezes os braços já não responderem aos impulsos cerebrais. Depois de muito tempo, conseguimos chegar ao lugar do acampamento, exaustos e encharcados, porém com uma sensação única de vitória, de conquista, de superação. Os outros canoístas começaram a chegar somente duas horas depois, quando a tempestade diminuiu e somente a chuva atrapalhava. Alguns tiveram que ser resgatados nas margens do lago…

Dessa forma passei por uma das maiores provas da minha vida, mas conheci pessoalmente mais uma paisagem típica de cartão-postal europeu: canoagem em um lago sueco!





Bruzubruzu

30 07 2009

Durante meu intercâmbio na Dinamarca, além de viajar por todo o país, também tive a oportunidade de conhecer outros locais da Europa.

A primeira viagem internacional foi para a Polônia. Como já havia dito antes, a minha mãe dinamarquesa fazia aulas de polonês, e por isso trocava correspondências com algumas famílias do norte daquele país. Aproveitando a sua vontade de conhecer pessoalmente seus amigos, a minha vontade de conhecer vários lugares e uma semana de férias em outubro, decidimos passear.

Viajamos com o carro da família, e pegamos o ferryboat no finalzinho da tarde até Sassnitz, na Alemanha. Por volta da meia-noite, pegamos a fila para verificação de passaportes para cruzar a fronteira, que correu tudo bem. Continuamos madrugada adentro até Wejherowo, a cidade que nos serviria de base no norte da Polônia por aquela semana.

Família da Hanja

Família da Hanja

Fomos recepcionados pela família da Hanja (lê-se Ania) com um saboroso café-da-manhã com ovos mexidos, bacon e chá. Depois fomos para o apartamento emprestado em que iríamos ficar naqueles dias, para descansar um pouco da viagem cansativa. Na parte da tarde, passeamos um pouco pela cidade, que estava muito colorida por causa da mudança das folhas do outono, e à noite voltamos para a casa da Hanja para jantar. Nada de especial, a não ser uma tradição polonesa que conheci naquele momento: como entrada, eles servem o caldo da carne que será servida como prato principal. Tá certo, é bem gorduroso, mas é delicioso!

Catedral de Wejherowo

Catedral de Wejherowo

Outono em Wejherowo

Outono em Wejherowo

Wejherowo tem cerca 48 mil habitantes, e fica a uns 45 km de Gdansk, a capital da Pomerânia, e que juntamente com Gdynia e Sopot formam a região conhecida como Tricidade, com mais de um milhão de habitantes e uma das mais importantes do país. A maior experiência foi constatar as imagens que temos de um país do leste europeu: as pessoas bem fechadas, porém dispostas a te ajudar de alguma forma. Como estava frio, todo mundo bem agasalhado, com roupas de cores simples, como preto e marrom. As casas também são simples, sóbrias, parecidas umas com as outras. A família da Hanja era típica fazendeira polonesa, dona de uma granja que recolhia uma média de 5000 ovos por dia.

Na cidade fomos a um Mercado das Pulgas, Bazar da Pechincha ou algum nome parecido – uma praça com barraquinhas vendendo de tudo, desde boinas com a estrela soviética e medalhas da guerra a roupas e comidas. Comprei uma caneca que tinha um desenho bem familiar por aqui: pasmem, o Cebolinha, aquele da Turma da Mônica, andando de skate!

Mercado de Pulgas em Wejherowo

Mercado de Pulgas em Wejherowo

Outros pontos interessantes da visita foram uma Usina Nuclear transformada em Usina Hidrelétrica e uma missa numa Igreja Católica na terra do papa. Conhecemos também a cidade de Gdynia, onde experimentei os originais Strogonoff de carne e o Goulasch.

Monumento ao Sindicato Solidariedade em Gdynia

Monumento ao Sindicato Solidariedade em Gdynia

Mas o ponto alto da viagem foi a cidade de Gdansk, o berço do sindicato Solidariedade do Lech Walesa, ou seja, o berço da redemocratização do país após a derrocada do comunismo. Foi como uma viagem na história, saber tudo o que aconteceu ali naquela cidade, a luta contra o comunismo, a localização estratégica nas duas guerras mundiais, as destruições e reconstrções. Nada como um bom guia de turismo num lugar como esses!

Grupo de turistas em Gdansk

Grupo de turistas em Gdansk

Gdansk

Gdansk

Vista Panorâmica de Gdansk

Vista Panorâmica de Gdansk

No caminho de volta para a Dinamarca, paramos para almoçar com amigos poloneses na cidade de Slupsk e jantar com outra família conhecida em Koszalin, antes de viajar madrugada adentro até o porto alemão de Sassnitz, nosso ponto final nessa viagem.

Já ia me esquecendo de explicar o título: tenho uma amiga que mora em Londres, lugar onde tem muito imigrante polonês. Ela me diz que é muito fácil reconhecer um, pois quando eles conversam a única coisa que você entende é isso: bruzubruzu. Achei fantástica a descrição, e um ótimo título para falar sobre a Polônia.