Pequi

18 08 2008

Em dezembro e janeiro, o cheiro de pequi invade Montes Claros. Ambulantes com seus carrinhos-de-mão vendendo a iguaria pelas ruas do centro, o Mercado Central cheio de gente descascando o fruto, e aquele cheiro característico abrindo o apetite de uns, e embrulhando o estômago de outros.

José Felipe Ribeiro

Pequi descascado - foto: José Felipe Ribeiro

Coitados dos goianos, que acham que aquilo que tem por lá é pequi. Nunca viram os daqui, do tamanho de bolinhas de tênis… para quem não conhece, é assim: uma casca verde, grossa e rançosa, que quando cortada longitudinalmente revela uma polpa amarelo-ouro, carnuda… cozida, é um acontecimento para os apreciadores da culinária do cerrado.

O pequi é utilizado numa enorme variedade de pratos, além do mais famoso de todos: o arroz-com-pequi. Coloca-se no feijão, ou com a polpa se faz doce, pizza, picolé, sorvete. Ou simplesmente cozido.

Almoço da avó com pequi separado

Almoço da avó com pequi separado

Para se comer, tem que pegar com a mão e roer a polpa até o caroço. Não existe comer pequi com talheres ou com educação, o negócio é chegar ao final com os dedos e metade da cara amarela!!! Mas nunca, NUNCA morda o pequi. Sua castanha é uma armadilha, pois dentro há incontáveis minúsculos espinhos, que povoam a boca, língua e garganta dos mais incautos ou mal-orientados. Tem gente que manda morder de sacanagem, e depois tem que levar a vítima para o hospital…

Alguns, como eu, não gostam de roer pequi. Mas gostam do gostinho (?!?!) que ele deixa na comida. Por isso preferem só o arroz de pequi, ou o óleo de pequi na comida. Óleo mesmo, e se bobear vai virar até biodiesel!!!

Quem come pequi se lembra por uns 3 dias, no mínimo! Invariavelmente você vai arrotar o pequi, por mais educado que seja. É natural, é do ser humano, é do pequi.

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