Festas e Comemorações

13 12 2008

Meu primeiro aniversário fora de casa não foi muito diferente. Caiu numa quinta-feira, eu não sabia e nem me avisaram que é tradição levar um bolo para a escola, mas cantaram parabéns para mim e me desejaram mil felicidades. Em casa, hastearam a bandeira dinamarquesa no mastro do jardim, como sempre fazem em datas especiais.

Além de presentes, ganhei também algum dinheiro, pois isso é muito comum por lá. Mas o maior presente que ganhei foi que, a partir daquele dia, todos decidiram que eu iria me comunicar somente em dinamarquês. Afinal, eu já estava lá há 70 dias e já entendia muita coisa, faltava apenas um impulso para tomar coragem e começar a praticar o idioma.

No domingo, chamamos alguns amigos para jantar, e nesse dia tive uma grande surpresa! Durante o intercâmbio, aprendi a aceitar todo tipo de comida e somente depois perguntar o que era. Uma forma de ser educado, e não rejeitar as coisas antes de provar. Resumindo, um jeito de não ser preconceituoso. Eis que neste jantar teve um prato especial: uma ave, com carne mais dura e forte. Comi, achei estranho e então perguntei de que se tratava. Deveria ter ficado calado, pois descobri que era POMBO! Confesso que foi a única vez que meu estômago revirou ao saber o que tinha comido…

Festa de aniversário tradicional e diferente mesmo foi a do meu “pai”, quando ele completou 60 anos. Bandeira no mastro, bandeirinhas de papel enfeitando todo o jardim, e festa o dia inteiro. É o que eles chamam de åbent hus, ou casa aberta. Às 11 horas da manhã, as pessoas começaram a chegar para visitar, dar os parabéns, entregar os presentes e comer e beber à vontade! Esse entra-e-sai de pessoas durou até as 5 da tarde, e eu ajudava no corre-corre, recolhendo os pratos e talheres usados, lavando, enxugando, limpando as mesas, pois tudo deveria estar limpo para os convidados que chegavam e saíam todo o tempo. O bom é que, além de não precisar ir na escola, passei o dia todo comendo!!!

Aniversário de 60 anos do Vagn

Aniversário de 60 anos do Vagn

O banquete da festa de 60 anos

O banquete da festa de 60 anos

 

Os filhos dos Ipsen não puderam vir à festa, pois era em plena quarta-feira. Só vieram para o fim-de-semana, e foi a primeira vez que a família ficou toda reunida.  Foi um dos momentos mais hygge que tive por lá. Já expliquei o que é hygge no post “A Ilha dos Templários”, mas achei uma definição bastante interessante no post http://rebicki.blogspot.com/2008/11/hygge-rga-o-jeitinho-dinamarqus.html

Christa, Annie, Per, Rikke Ipsen, Jakob, Rikke do Jakob, Vagn

Christa, Annie, Per, Rikke Ipsen, Jakob, Rikke do Jakob, Vagn

A Dinamarca tem muitas tradições no período natalino. Começa com o julekalendar, ou calendário de Natal. As crianças recebem um presentinho por dia, a partir do dia 1º até o dia 24 de dezembro. São chocolatinhos, lápis, canetas, calendário, pequenas lembranças para “aquecer” os preparativos. É comum também você fazer sua ønskeseddel, que nada mais é que uma lista de presentes que você deseja para o Natal, e distribuir para toda a família e os amigos mais próximos.

No dia 13 de dezembro há a procissão das luzes, originária da festa para a deusa nórdica Lucina, que os católicos transformaram em Santa Luzia e os luteranos herdaram a tradição. Inclusive tem a mesma música de Santa Luzia que conhecemos no Brasil e as pessoas andando pelas ruas levando velas nas nas mãos.

Também existe o amigo oculto, que é conhecido como nisse, ou duende. Seu objetivo é sempre fazer alguma coisa com seu amigo, seja boa ou ruim. Na escola, ganhei bolo, chocolates, mas também ganhei arroz nos bolsos da minha jaqueta e sumiços de estojos e cadernos… eu também não deixava barato, e escondi até a mesa e a cadeira do meu amigo oculto!

No Natal também pendura-se alguns anjos e duendes nas janelas da casa, e como não poderia faltar, tem a árvore. A única diferença do Brasil é que o pinheiro era natural, escolhido na floresta. Até as luzinhas piscantes havia!

Enfeites na janela durante o Natal

Enfeites na janela durante o Natal

Nas comidas do Natal, tem uma tradição de fazer biscoitos, ou julekiks. Tem também o ris a la mand, um tipo de arroz doce com uma amêndoas, e quem acha a amêndoa inteira ganha um brinde. A Fernanda que escreve sobre a Dinamarca, tem um post muito bom sobre as comidas natalinas: http://oglobo.globo.com/blogs/dinamarca/post.asp?t=tradicao-de-natal&cod_Post=81417&a=321

Fazendo julekiks com Annie

Fazendo julekiks com Annie

Só faltou mesmo a neve. Fomos à missa de Natal, a única ocasião em que a igreja fica completamente lotada. Depois, todos voltam para suas casas e, ao redor da árvore, rezam, trocam presentes, cantam, dançam, fazem brincadeiras, comem, bebem e conversam muito.

Últimos preparativos na árvore de Natal

Últimos preparativos na árvore de Natal

Como eu nunca fui muito fã de Natal, eu estava mesmo preocupado com o Ano Novo. Tomei muita coragem e, uns 15 dias antes da festa, me ofereci para passar o reveillon na casa da Christine, que naquela altura já era a minha melhor amiga e, como bons adolescentes, a paquera rolava naturalmente. É claro que ela tomou um susto com a minha cara-de-pau, disse que não iria fazer nada no ano-novo pois iria a uma festa de bodas de ouro bem cedo no dia primeiro. Só que, dois dias depois, ela me disse que conversou com os pais e que eu iria passar o reveillon com ela.

Foi uma festa, digamos, particular… Estávamos só nós dois e os pais dela na casa. Conversamos, assistimos um pouco de televisão – a Rainha da Dinamarca, tradicionalmente, faz um discurso de Ano Novo na noite do dia 31 – e ela me chamou pra subir pro quarto, que os pais dela nos chamavam quando chegasse a meia-noite. Subimos e, ehhh… caham… ficamos jogando gamão a noite toda, até a hora de descer. Meia-noite, champanhe, fogos, abraços e saudações. Pena que tive que ir embora cedo, porque realmente eles iriam para as bodas às 5 da manhã para uma serenata. Fui para a cidade encontrar alguns dos colegas de classe, e ficamos bebendo e andando pelas ruas, soltando bombas e fogos de artifício. Foi muito divertido, mas eu estava meio abobalhado naquela noite, depois de ter jogado gamão pela primeira vez…

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