O Porto do Mercador

30 06 2009

Durante meu intercâmbio, estive algumas vezes na capital dinamarquesa, Copenhague. Sem contar com a chegada e a saída do país, em que quase não tive tempo de passear pela cidade, fui a um mini-intercâmbio de uma semana e estiquei alguns fins-de-semana para poder apreciar e conhecer melhor seus encantos.

Seu nome significa o porto do mercador, e refere-se à importante história de entreposto comercial que a cidade ostenta desde sua fundação, em meados do século XII. É conhecida, também, como a cidade das torres, pois essa é a impressão que os visitantes têm ao olhar seu horizonte, devido ao grande número destes adereços nos seus edifícios históricos.

Em novembro, o AFS organizou um acampamento de meio-período, com o objetivo de reunir os intercambistas do Language Camp  do começo do ano, para podermos trocar experiências, dicas, compartilhar problemas e soluções, depois de 4 meses com as famílias dinamarquesas. Nesse acampamento, os irmãos também podiam participar, o que enriqueceu bastante os debates, pois tínhamos impressões do outro lado, das famílias que recebem os estudantes.

Como meus irmãos eram mais velhos e não moravam comigo, não fazia muito sentido deles participarem do acampamento. Porém, aproveitei a ida a Copenhague para esticar a estadia e visitar os dois que moravam ali. Fomos ao Experimentarium, um museu de ciências muito divertido, em que você pode participar dos experimentos com sons, cores, óptica, física e química. Visitamos também o Museu Ripley’s Believe it or Not, daquele antigo programa Acredite se Quiser, com suas bizarrices e lendas.

Não poderia faltar, logicamente, um passeio pelo centro da cidade. Me surpreendi com o fato da maioria das ruas do centro serem apenas para pedestres, chamadas de Gågade. Não tive como não lembrar da Rua Simeão Ribeiro, o Quarteirão do Povo de Montes Claros (tinha mesmo era que fechar todo o centro de Montes Claros para o trânsito de carros, pois aquilo ali é muito bagunçado e estreito). É muito diferente a sensação de andar tranquilamente pelo coração da cidade, e saber que ali não pode entrar nenhum veículo automotor.

Nessa oportunidade, conheci também o Castelo de Rosenborg, onde ficam as jóias da coroa dinamarquesa e os jardins reais; e a Rundetårn, o mais antigo observatório da Europa, construída em meados do século  XVII pelo Rei Christian IV, um dos mais populares reis da Dinamarca e conhecido especialmente por suas construções.

No mês de janeiro, mais uma atividade do AFS: um mini-intercâmbio, onde passamos uma semana em outra família de uma região completamente diferente da Dinamarca. Meu destino foi Holte, um subúrbio de classe média-alta cerca de 20 quilômetros ao noroeste de Copenhague. Fiquei hospedado na família Schjerning, completamente diferente do que eu estava acostumado: Era o segundo casamento dos pais, que tinham cada um seu filho do primeiro casamento e um filho juntos. Ou seja, três filhos de três uniões distintas, muito diferente de tudo o que já tinha visto até aquele momento. O filho mais velho tinha a minha idade, e era fera em badminton, chegando a ser convocado para seleções de base do país. O segundo tinha cerca de 11 anos de idade, tocava piano muito bem, sabendo inclusive algumas músicas de bossa nova, e o caçula tinha 6 anos e era uma espoleta, sempre provocando os irmãos mais velhos. Moravam em uma casa grande e moderna, com um Volvo na garagem e um trailer no estacionamento. Fui à escola local durante dois dias, e o restante foi para passear pela cidade e participar das atividades do AFS.

Como estava longe de Copenhague, eu tinha que pegar ônibus e trem para chegar até lá, e tive um contato mais profundo com o sistema de transportes da cidade. O que mais impressiona é a pontualidade. Nos pontos tem uma tabela com os horários, e acredite: funciona! Exatamente na hora marcada, o ônibus irá passar ou o trem irá chegar. Eu acho até que os motoristas ficam na esquina, esperando dar o horário certinho, porque não tem lógica nenhuma essa pontualidade. Outro detalhe é que não existem cobradores, você compra o bilhete na máquina e passa na catraca, que vai carimbá-lo. Com esse bilhete marcado, você pode usar qualquer transporte público por um período de tempo, que pode chegar a até duas horas, dependendo da distância que você vai percorrer. Você pode até andar sem pagar, mas se for pego pelos fiscais irá pagar uma multa pesadíssima, debitada na hora de sua conta bancária, sem apelações. Além da multa, os dinamarqueses são conscientes dos seus direitos e deveres, então nem passa pela cabeça deles andar sem pagar ou com o bilhete vencido.

Durante essa semana, pude passear bastante por toda a ilha de Sjæland. Conheci o Amalienborg, a residência oficial da monarquia e sua troca de guarda cheia de pompa e circunstância; o Castelo de Frederiksborg, o maior castelo da Escandinávia, e atualmente sede do Museu Histórico Nacional; o Palácio de Charlotenlund e o Aquário Nacional; o castelo de Fredensborg; o Museu do Escotismo, bem simples mas bastante interessante para quem fazia parte do movimento há mais de 10 anos; a fábrica-museu da Tuborg, uma das melhores cervejarias dinamarquesas, que dava amostras grátis para maiores de 16 anos ao final do passeio.

Como já estava demorando, visitei também a estátua mais famosa do país: A Pequena Sereia. Personagem de H.C. Andersen, a pequena Ariel estava famosa pelo filme da Disney de 89, e não posso negar que fiquei meio decepcionado. Esperava algo grandioso, nos moldes das estátuas equestres do centro da cidade, e me deparei com uma figura em bronze, em tamanho natural (cerca de um metro e meio de altura), sentada em uma pedra à beira do mar. Mas valeu muito a pena conhecer um dos símbolos do país.

Aproveitei, também, para ir á Embaixada Brasileira e adiantar várias burocracias, como alistamento militar, justificativa eleitoral, e validação do meu ano letivo no Brasil.

Como adolescente e estudante, não perdia uma promoção de restaurante, principalmente dos Coma Quanto Puder ou quando o McDonald’s oferecia o hambúrguer por apenas uma coroa, cerca de R$ 0,25 na época, e eu devorava 5 sanduíches e uma coca-cola média.

Para encerrar essa semana fantástica, o AFS nos levou para assistir à peça Sonho de Uma Noite de Verão, de Shakespeare, em pleno Teatro Real. Foi minha primeira vez no teatro, e fiquei mesmo impressionado quando a orquestra tocou a marcha nupcial, de arrepiar!

No mês de maio, aproveitei a chegada da primavera e a reabertura do Tivoli Park para mais uma visita a Copenhague. O Tivoli é o mais antigo parque de diversões do mundo, funcionando desde 1843, e fica bem no centro da cidade. Suas atrações vão desde brinquedos comuns de parques – montanhas-russas, elevador, roda-gigante, e o famoso grasshopper – a apresentações de teatro, mímica, shows musicais. Seus jardins também são muito apreciados, assim como as diversas lanchonetes e restaurantes. E basta sair com uma camisa alusiva ao Brasil para encontrar muitos conterrâneos!

Aliás, fiquei impressionado com a quantidade de brasileiros que encontrei pelas ruas de Copenhague. É fácil reconhecer: conversam alto, riem muito e brincam com todo mundo nas ruas… é praticamente o oposto dos dinamarqueses. Acho que uns deveriam aprender mais com os outros e chegar a uma média satisfatória!