A primeira vez!

29 08 2008

A minha primeira grande aventura foi aos 8 anos de idade, quando eu já morava em Montes Claros e passava as férias em Brasília. Meu pai resolveu apresentar o mar aos filhos mais novos, o Claudio e eu. E já que seria um grande empreendimento sair de Brasília e ir até a praia, melhor fazer uma aventura inesquecível! Pena que minha memória é fraca desde pequeno, e tenho poucas lembranças da grande jornada.

Meu pai já havia planejado tudo: comprou uma KOMBI bege com bagageiro no teto, mapas rodoviários, combinou com um casal de primos, e se preparou para levar 12 pessoas para Fortaleza!!! Um roteiro de quase 5.000 quilômetros, saindo de Brasília e chegando em Taiobeiras… uma loucura que realmente inaugurou meu gosto por aventuras e viagens!

Meu pai havia se casado novamente com sua prima. Levou um dos filhos dela, o irmão com sua família (esposa e 4 crianças), e o pai deles. Assim, a trupe era formada por dois casais com idade entre 40 e 50 anos, o tio-avô com seus 70 e poucos, um adolescente de 18 anos, e 6 crianças entre 6 e 12 anos.

A viagem foi em janeiro, e cruzamos todo o sertão nordestino em três dias para chegar lá. Interessante cruzar o Rio São Francisco por duas vezes em lugares diferentes, ver cactos, seca, árvores com galhos retorcidos, ermo, calor… Imagina esse tanto de gente, numa Kombi, bagagem toda no teto coberta por uma lona, num calorzão de sertão nordestino em pleno janeiro! Não me lembro se parávamos para comer em restaurantes de beira de estrada ou se éramos verdadeiros farofeiros. Acho que um pouco dos dois.

A primeira noite foi em Ibotirama, um hotel muito bonito às margens do Rio São Francisco. O segundo pernoite foi em Juazeiro do Norte, e me lembro que paramos em um estabelecimento na beira da estrada, que tinha cama redonda e espelho no teto, e que não podíamos ver televisão ali. Acho que foi o único lugar que tinha pra ficar naquela cidade, na hora em que chegamos. No terceiro dia finalmente chegamos ao nosso destino, e conseguimos ver o mar pela primeira vez! Euforia, vislumbre, fascinação, ansiedade para o dia seguinte chegar logo e irmos para a praia.

Conseguimos uma pousada na Praia de Iracema, um quarto com vários beliches para as crianças, quartos duplos para os casais. Como todo bom mineiro, molhei o pé, pulei as primeiras marolinhas e provei, meio sem querer, para comprovar que a água era realmente salgada… Fomos à Praia do Futuro, que naquela época não era tão badalada, e onde tomei o primeiro caldo de onda da minha vida… provavelmente rodamos um pouco nos pontos turísticos da cidade, mas logo fomos para nosso segundo destino: Morro Branco/Beberibe.

Ficamos em um apartamento a uns 200 metros da praia. Tinha piscina, tinha duna de areia bem perto, e o mar não era tão bravo. Muito sol, frescobol, futebol, passeio nas dunas, caminhadas pela praia… teve saída noturna para festas de carimbó, fotos de pôr-do-sol, costas ardendo à noite e descascando depois de uns 3 dias (quem usava protetor solar em 86?)

Na volta passamos pelas capitais, mas de uma forma meio “só pra constar”: Natal, João Pessoa e o ponto mais ocidental das Américas, Recife e seus canais, primeiro pernoite da volta. Maceió e Aracaju e o mar verde com coqueiros infinitos, e a volta pro sertão, dormindo em Alagoinhas da Bahia. Nunca vi tanto pernilongo na minha vida, coisa absurda. Foi difícil dormir, com medo de ser carregado pelas muriçocas!

Depois diretamente para Taiobeiras, visitar os avós e contar as novidades para os primos. E para fechar a viagem com chave de ouro, descobri que tinha pegado caxumba…

Aos leitores mais empolgados, lamento decepcionar-lhes: esse é um blog de lugares e viagens, e vocês não encontrarão contos eróticos por aqui.

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