Desembrulhe

7 01 2009

Como mensagem de Ano Novo, vou replicar aqui o post do Leandro Wirz, que escreve o Mar de Coisa. O texto foi extremamente feliz, e deveria ser adotado por todas as pessoas!

“Na manhã seguinte ao Natal, ao pôr o lixo para fora, você reparou a enorme quantidade de sacolas e caixas de papelão, folhas de papel de seda, sacos plásticos, papéis coloridos de presente, laços de fita etc etc etc?

Honestamente, precisava de tanta embalagem para os presentes? Precisávamos gerar tanto lixo? Nas minhas próximas compras, eu vou dar preferência a embalagens de material reciclável. E vou pedir menos embrulhos, caixas, laços, bolsas.

Eu quero a minha vida mais simples. E o planeta mais limpo.”

Em breve de volta às viagens!

Feliz 2009!





Festas e Comemorações

13 12 2008

Meu primeiro aniversário fora de casa não foi muito diferente. Caiu numa quinta-feira, eu não sabia e nem me avisaram que é tradição levar um bolo para a escola, mas cantaram parabéns para mim e me desejaram mil felicidades. Em casa, hastearam a bandeira dinamarquesa no mastro do jardim, como sempre fazem em datas especiais.

Além de presentes, ganhei também algum dinheiro, pois isso é muito comum por lá. Mas o maior presente que ganhei foi que, a partir daquele dia, todos decidiram que eu iria me comunicar somente em dinamarquês. Afinal, eu já estava lá há 70 dias e já entendia muita coisa, faltava apenas um impulso para tomar coragem e começar a praticar o idioma.

No domingo, chamamos alguns amigos para jantar, e nesse dia tive uma grande surpresa! Durante o intercâmbio, aprendi a aceitar todo tipo de comida e somente depois perguntar o que era. Uma forma de ser educado, e não rejeitar as coisas antes de provar. Resumindo, um jeito de não ser preconceituoso. Eis que neste jantar teve um prato especial: uma ave, com carne mais dura e forte. Comi, achei estranho e então perguntei de que se tratava. Deveria ter ficado calado, pois descobri que era POMBO! Confesso que foi a única vez que meu estômago revirou ao saber o que tinha comido…

Festa de aniversário tradicional e diferente mesmo foi a do meu “pai”, quando ele completou 60 anos. Bandeira no mastro, bandeirinhas de papel enfeitando todo o jardim, e festa o dia inteiro. É o que eles chamam de åbent hus, ou casa aberta. Às 11 horas da manhã, as pessoas começaram a chegar para visitar, dar os parabéns, entregar os presentes e comer e beber à vontade! Esse entra-e-sai de pessoas durou até as 5 da tarde, e eu ajudava no corre-corre, recolhendo os pratos e talheres usados, lavando, enxugando, limpando as mesas, pois tudo deveria estar limpo para os convidados que chegavam e saíam todo o tempo. O bom é que, além de não precisar ir na escola, passei o dia todo comendo!!!

Aniversário de 60 anos do Vagn

Aniversário de 60 anos do Vagn

O banquete da festa de 60 anos

O banquete da festa de 60 anos

 

Os filhos dos Ipsen não puderam vir à festa, pois era em plena quarta-feira. Só vieram para o fim-de-semana, e foi a primeira vez que a família ficou toda reunida.  Foi um dos momentos mais hygge que tive por lá. Já expliquei o que é hygge no post “A Ilha dos Templários”, mas achei uma definição bastante interessante no post http://rebicki.blogspot.com/2008/11/hygge-rga-o-jeitinho-dinamarqus.html

Christa, Annie, Per, Rikke Ipsen, Jakob, Rikke do Jakob, Vagn

Christa, Annie, Per, Rikke Ipsen, Jakob, Rikke do Jakob, Vagn

A Dinamarca tem muitas tradições no período natalino. Começa com o julekalendar, ou calendário de Natal. As crianças recebem um presentinho por dia, a partir do dia 1º até o dia 24 de dezembro. São chocolatinhos, lápis, canetas, calendário, pequenas lembranças para “aquecer” os preparativos. É comum também você fazer sua ønskeseddel, que nada mais é que uma lista de presentes que você deseja para o Natal, e distribuir para toda a família e os amigos mais próximos.

No dia 13 de dezembro há a procissão das luzes, originária da festa para a deusa nórdica Lucina, que os católicos transformaram em Santa Luzia e os luteranos herdaram a tradição. Inclusive tem a mesma música de Santa Luzia que conhecemos no Brasil e as pessoas andando pelas ruas levando velas nas nas mãos.

Também existe o amigo oculto, que é conhecido como nisse, ou duende. Seu objetivo é sempre fazer alguma coisa com seu amigo, seja boa ou ruim. Na escola, ganhei bolo, chocolates, mas também ganhei arroz nos bolsos da minha jaqueta e sumiços de estojos e cadernos… eu também não deixava barato, e escondi até a mesa e a cadeira do meu amigo oculto!

No Natal também pendura-se alguns anjos e duendes nas janelas da casa, e como não poderia faltar, tem a árvore. A única diferença do Brasil é que o pinheiro era natural, escolhido na floresta. Até as luzinhas piscantes havia!

Enfeites na janela durante o Natal

Enfeites na janela durante o Natal

Nas comidas do Natal, tem uma tradição de fazer biscoitos, ou julekiks. Tem também o ris a la mand, um tipo de arroz doce com uma amêndoas, e quem acha a amêndoa inteira ganha um brinde. A Fernanda que escreve sobre a Dinamarca, tem um post muito bom sobre as comidas natalinas: http://oglobo.globo.com/blogs/dinamarca/post.asp?t=tradicao-de-natal&cod_Post=81417&a=321

Fazendo julekiks com Annie

Fazendo julekiks com Annie

Só faltou mesmo a neve. Fomos à missa de Natal, a única ocasião em que a igreja fica completamente lotada. Depois, todos voltam para suas casas e, ao redor da árvore, rezam, trocam presentes, cantam, dançam, fazem brincadeiras, comem, bebem e conversam muito.

Últimos preparativos na árvore de Natal

Últimos preparativos na árvore de Natal

Como eu nunca fui muito fã de Natal, eu estava mesmo preocupado com o Ano Novo. Tomei muita coragem e, uns 15 dias antes da festa, me ofereci para passar o reveillon na casa da Christine, que naquela altura já era a minha melhor amiga e, como bons adolescentes, a paquera rolava naturalmente. É claro que ela tomou um susto com a minha cara-de-pau, disse que não iria fazer nada no ano-novo pois iria a uma festa de bodas de ouro bem cedo no dia primeiro. Só que, dois dias depois, ela me disse que conversou com os pais e que eu iria passar o reveillon com ela.

Foi uma festa, digamos, particular… Estávamos só nós dois e os pais dela na casa. Conversamos, assistimos um pouco de televisão – a Rainha da Dinamarca, tradicionalmente, faz um discurso de Ano Novo na noite do dia 31 – e ela me chamou pra subir pro quarto, que os pais dela nos chamavam quando chegasse a meia-noite. Subimos e, ehhh… caham… ficamos jogando gamão a noite toda, até a hora de descer. Meia-noite, champanhe, fogos, abraços e saudações. Pena que tive que ir embora cedo, porque realmente eles iriam para as bodas às 5 da manhã para uma serenata. Fui para a cidade encontrar alguns dos colegas de classe, e ficamos bebendo e andando pelas ruas, soltando bombas e fogos de artifício. Foi muito divertido, mas eu estava meio abobalhado naquela noite, depois de ter jogado gamão pela primeira vez…