A praia dos mineiros

5 09 2008

Quem disse que Minas não tem mar nunca foi ao litoral que vai de Cabo Frio/RJ a Ilhéus/BA no verão. Você encontra mais carros com placas das cidades de Minas do que da própria cidade em que está. Dizem que existe até uma proposta para trocar, com o Estado do Rio de Janeiro, em definitivo, Juiz de Fora por Cabo Frio.

Assim, fui com meu pai em uns 4 verões seguidos a Gurapari, e depois uma vez a Vila Velha com dois dos meus irmãos. Isso foi no final dos anos 80 e início dos 90.

Como sempre, eu e o Claudio íamos par Brasília em dezembro, para as férias escolares. Me lembro que, na primeira vez, viajamos bem cedo no dia 1º de janeiro, então ficamos acordados só para “ver” a passagem do ano. Viajamos até Contagem, na Grande BH, e dormimos na casa dos parentes que tinham a casa na praia e iriam viajar conosco no dia seguinte. Era uma prima da idade do meu pai e seus quatro filhos, todos na mesma faixa etária minha e do Claudio, ou seja, entre 12 e 18 anos. Lembro, também, que toda vez que passava por BH eu ficava doente, com irritação na garganta, por causa da poluição.

A casa ficava na praia de Santa Mônica, fora da cidade de Guarapari. Era uma praia excelente para crianças, com extensa faixa de areia, rasa e sem ondas. Boa para tomar sol, jogar futebol e frescobol, mas a nossa inquietude adolescente nos levava para desafios mais ousados, como ir para as praias de Setiba e Setibão, na maioria das vezes pelos rochedos, pois lá tinha ondas maiores.

Os rochedos também eram os lugares de ficar apreciando a quebra das ondas, o pôr-do-sol… e de algumas topadas com o dedão do pé que demoravam a cicatrizar! Na direção oposta a Setiba, a aventura pelos rochedos saía nas Três Praias, uma propriedade particular da Varig, repleta de farofeiros e com uma paisagem fantástica: como o nome diz, três pequenas praias, com água cristalina e quase nenhuma onda, praticamente três piscinas naturais de água salgada.

Quando queríamos encontrar os outros mineiros, principalmente outros parentes que estavam em Guarapari, íamos para a Praia do Morro. Cheia de gente, urbanizada, quiosques, vendedores, empadinha de camarão e ondas. E o passeio pelo calçadão do centro da cidade, Praia das Castanheiras e a Praia da Areia Preta, com banhistas enterrados até o pescoço buscando suas propriedades medicinais.

Todas as vezes que fomos a Guarapari, sempre rolou uma esticadinha a Vitória e Vila Velha. Inesquecível o cheiro de chocolate que toma conta da cidade, por causa da fábrica da Garoto. Logicamente, sempre rolava uma passadinha por lá para comprar um mundo de chocolate! E a subida ao Convento da Penha, para apreciar toda a paisagem lá de cima.

Em 91, para quebrar o ciclo de Guarapari, fui com o meu irmão mais velho, sua esposa e dois dos seus filhos – com 9 e 3 anos na época – e meu irmao mais novo para Vila Velha, Praia de Coqueiral. Chegamos à praia no dia em que estourou a Guerra do Golfo, por isso me lembro do ano… o esquema era totalmente diferente dos anos anteriores, pois dessa vez teríamos que dividir as despesas, os almoços, os passeios. Fomos até Marataízes, por uma estrada que passa por plantações de abacaxi intermináveis e chegando às águas escuras influenciadas pela foz do rio Itapemirim; e até Domingos Martins, cidade de imigração alemã, situada na serra, com várias cachoeiras e onde estava ocorrendo um festival folclórico. Diversão e aventura garantidas!!!

Fui a Cabo Frio no carnaval de 2002, junto com meus colegas de banco. Tirando a lotação de gente, o funk carioca, os constantes piques de luz e faltas temporárias de água, foi bastante divertido. A água gelada confirma o nome da cidade, e aproveitamos para conhecer Búzios e as badalações da Rua das Pedras. Foi a primeira vez que dirigi na estrada BH-Rio, algo que virou rotina alguns anos depois.

Tenho curiosidade para saber se Guarapari continua do mesmo jeito… mas tem tanto lugar pra conhecer por aí, por que repetir né??? Talvez seja melhor ficar com as lembranças adolescentes…

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One response

9 09 2008
Flávia

Bem, Guarapari cresceu muito Hernani, no verão não falta mais luz e nem água.
Mas você ainda encontra um monte de mineiros e o povo de Brasília por toda esquina.
Eu acho que você não ia reconehcer a cidade, mas concordo com vc, q é melhor conhecer novos lugares.
Bjos

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